Rodrigo Gonçalves Pimentel observa que o crescimento patrimonial costuma ser visto como um sinal inequívoco de sucesso. Afinal, expandir negócios, adquirir ativos e aumentar a geração de riqueza são objetivos perseguidos por empresários e investidores em diferentes setores da economia. No entanto, existe uma questão que começa a chamar a atenção de famílias empresárias e especialistas em gestão patrimonial: o que acontece quando a riqueza cresce em ritmo mais acelerado do que a estrutura criada para administrá-la?
A pergunta pode parecer incomum, mas está relacionada a uma realidade cada vez mais frequente. À medida que patrimônios se tornam mais complexos, cresce também a necessidade de processos, regras e mecanismos de tomada de decisão capazes de acompanhar essa evolução. Sem essa estrutura, o crescimento patrimonial pode gerar desafios que vão muito além da esfera financeira.
Em muitos casos, o patrimônio se expande, mas a governança permanece praticamente a mesma de anos anteriores. O resultado é uma diferença crescente entre a dimensão dos ativos e a capacidade da família ou da organização de administrá-los de forma eficiente e coordenada.
O crescimento do patrimônio muda a natureza dos desafios
Quando uma empresa está em fase inicial, muitas decisões são centralizadas em um número reduzido de pessoas. O fundador costuma acompanhar de perto as operações, os investimentos e os movimentos estratégicos. Com o passar do tempo, entretanto, a realidade se transforma, aponta Rodrigo Gonçalves Pimentel. Novos ativos são incorporados, diferentes gerações passam a ter participação no patrimônio e os interesses envolvidos tornam-se mais diversos.

Nesse estágio, os desafios deixam de estar relacionados apenas à geração de riqueza. A gestão da complexidade passa a ocupar papel central. Na prática, o patrimônio já não depende exclusivamente da capacidade empreendedora do fundador, mas também da existência de estruturas que permitam sua continuidade ao longo do tempo.
Quando a governança fica para trás
Para o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, um dos riscos mais comuns ocorre quando o crescimento patrimonial não é acompanhado pela evolução dos mecanismos de governança.
Em situações como essa, decisões relevantes continuam sendo tomadas de forma informal, sem critérios claramente definidos ou processos estruturados. Embora esse modelo possa funcionar durante determinado período, ele tende a enfrentar dificuldades à medida que o patrimônio aumenta e mais pessoas passam a participar das discussões.
Diante disso, questões relacionadas a investimentos, distribuição de responsabilidades, sucessão e administração dos ativos passam a exigir níveis maiores de organização. Sem isso, aumentam as chances de conflitos, desalinhamentos e dificuldades na condução estratégica do patrimônio.
A complexidade das novas gerações
Outro fator que contribui para esse cenário é a mudança observada nas famílias empresárias. As novas gerações costumam apresentar trajetórias profissionais, interesses e expectativas bastante diferentes das dos fundadores.
Enquanto alguns herdeiros desejam participar ativamente dos negócios, outros preferem atuar apenas como investidores ou seguir caminhos profissionais independentes. Essa diversidade de perfis é natural, mas exige estruturas capazes de acomodar diferentes formas de participação.
O filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, Rodrigo Gonçalves Pimentel, ainda alude que patrimônios cada vez maiores exigem modelos de governança preparados para lidar com essa pluralidade de visões, sem comprometer a capacidade de tomada de decisão.
Governança como instrumento de continuidade
Ao contrário do que muitos imaginam, governança não deve ser vista apenas como um conjunto de regras burocráticas. Na verdade, sua principal função é criar previsibilidade e organização para que decisões importantes possam ser tomadas de forma eficiente. Conselhos consultivos, conselhos de administração, acordos familiares, protocolos de governança e fóruns permanentes de diálogo são alguns dos instrumentos que ajudam a estruturar essa dinâmica.
Sob a ótica do advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, mais do que administrar o presente, essas ferramentas procuram criar condições para que o patrimônio continue funcionando de forma organizada mesmo diante de mudanças econômicas, empresariais ou geracionais.
O tamanho do patrimônio não garante sua perpetuidade
A história empresarial oferece inúmeros exemplos de patrimônios expressivos que enfrentaram dificuldades não por falta de recursos, mas pela ausência de estruturas adequadas para administrá-los.
O advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel finaliza, evidenciando que o crescimento patrimonial e o fortalecimento da governança precisam caminhar juntos. Assim que os ativos aumentam e as famílias se tornam mais complexas, cresce também a necessidade de processos capazes de sustentar essa evolução. Em um ambiente econômico marcado por transformações constantes, a verdadeira solidez patrimonial não depende apenas do tamanho da riqueza acumulada, mas da capacidade de organizá-la, preservá-la e prepará-la para as próximas gerações.
A governança, nesse contexto, deixa de ser um complemento e passa a ocupar posição estratégica na construção da perpetuidade patrimonial.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

